Wagner Roberto de Oliveira
Um dia Wagner estampou a capa do jornal O Estado de S. Paulo. No registro, protestava com outros corinthianos loucos como ele a má fase do clube nos idos de 2005. Decerto não tratava-se do seu momento mais sublime, mas quedava expressa e resumida ali a paixão avassaladora pelo futebol do Timão desde os tempos de menino, quando ia escondido aos jogos com os amigos da rua.
Adulto, seguiu indo às partidas quando podia, inclusive se fosse preciso viajar para o Rio de Janeiro ou Minas Gerais. Esse amor, como são aqueles consumidos pelo fogo, assemelhava-se às vezes a uma montanha-russa. Dos píncaros da realização e da felicidade nas vitórias à depressão das derrotas. Nesses momentos o seu dia acabava e não queria nem jantar.
Fora das arquibancadas Wagner era um pouco mais calado, recolhido no seu universo. Começou a trabalhar ainda adolescente com o pai em um escritório de contabilidade e depois em uma ótica para enfim empregar-se em um banco por 37 anos até a aposentadoria.
Rose surgiu em sua vida na noite de uma discoteca chamada Saint Louis, na Vila Maria. Foram 32 anos de casados, de uma relação boa com dois filhos, Pâmela e Caio. Se o início foi materialmente difícil naquela casa, o tempo se encarregou de trazer estabilidade. Foi um pai presente e preocupado com a educação dos filhos, fez o possível para nada faltar. De legado aos seus deixou, além das portas abertas pelos estudos, um profundo respeito pelo valor da honestidade e do trabalho.
Wagner sofreu um total de seis AVCs em um espaço de seis anos, recuperando-se prontamente depois de cada um deles. Mas o terceiro incidente, em 2017, provocou em si uma mudança inesperada. Passou a falar mais, a sair mais, a fazer coisas que não faria antes. A abertura para o mundo, até para o carinho estranho à sua criação, foi completa. Agora ele topava tudo e mais, falava logo o que pensava.
Em 2018 os filhos deram de surpresa para ele e para Rose a festa de casamento que não tiveram 30 anos antes, um momento marcante para celebrar aquela trajetória de amor. Wagner viveu para ver realizado seu sonho de formar os filhos e ter casa e carro próprios, enquanto buscava a desejada viagem para a Europa e o apartamento na praia. O sexto AVC selou sua partida de uma vida realizada.