João José dos Santos

 
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Das portas das casas e das janelas surgiram pessoas para aplaudir o carro onde o corpo de João era transportado para o sepultamento. Conhecidos, vizinhos e amigos, quem não pôde ir ao velório fazia ali a última homenagem a alguém cuja vida foi fazer amigos e espalhar sorrisos. 

Um dos primeiros moradores do Jardim Bela Vista, em Guarulhos, foi amado e querido por lá. Reflexo do jeito expansivo, de cumprimentar desconhecidos na rua, brincar e bater papo na volta do serviço. E também do trabalho como pastor evangélico, das orações e conversas com quem precisava de luz.

Muito antes da vida naquele bairro ficou quase 90 dias em um pau de arara para vencer a distância entre a terra natal, a baiana Ibitiara, e a dureza da metrópole paulistana. Tinha apenas 13 anos então e passou a trabalhar nas obras do centro daquela cidade em expansão. Depois empregou-se em empresas metalúrgicas como auxiliar geral.

Anos depois reencontrou na cidade um conterrâeo, irmão de Adelisia. A conhecera ainda em Ibitiara e ali descobriu que ela agora vivia também em São Paulo. O reencontro virou namoro e um casamento de quase três décadas.

Sustentou os quatro filhos e a esposa como ajudante em uma empresa de entrega de tubos de aço por 20 anos e depois como segurança de uma transportadora por mais uma década. Foi rígido na educação de Janete, Lenete, Moisés e Daniel, um esforço para trazê-los os ensinamentos das épocas antigas. Sua severidade nesse assunto era compensada apenas pelo carinho e atenção. Soube dedicar um tempo todos os dias para brincar com eles e para estar com a esposa.

João gostava de passear, de viajar. Voltou muitas vezes para a sua Ibitiara, ia para Marília e amava o litoral. A paixão pelos relógios também era marcante em si. Não podia ver um modelo bonito sem perguntar a marca, colecionou muitos. 

Teve oito netos e com eles conseguiu ser ainda mais carinhoso e cuidadoso, um super avô como se lembram. Realizou-se assim e em todo o resto. João foi raro, alguém que nunca ficou com uma vontade não concretizada de fazer algo. 

E assim foi também a sua partida. Sempre dizia não querer ficar debilitado, sofrendo em casa. Uma indisposição incomum para alguém tão saudável quanto ele o levou ao hospital. Faleceu por arritmia cardíaca na manhã seguinte. João se despediu recebendo amor.

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