Benedicta Joana da Silva
Benedicta sabia exatamente o que preparar para os netos Ricardo e Luis Felipe. Bife à milanesa para aquele, torta de frango para este, tinha de cor os gostos particulares de cada um. Os meninos foram tudo para si, por eles fazia o seu possível.
Impedida pela natureza de ter gerar filhos próprios adotara com o marido, Benedito, um menino, filho de Ana, uma das suas irmãs. Para aquela criança, também batizada de Benedito, um nome recorrente na família, foi uma mãe presente, carinhosa e múltipla nos cuidados. Trabalhou pouco fora antes de passar a dedicar sua energia ao lar e à atenção ao garoto, enquanto o esposo dividia o tempo entre dois empregos como enfermeiro.
Muito antes de encontrar seu companheiro nas missas que ambos frequentavam na mesma paróquia de São Paulo, Benedicta foi uma criança feliz em Iporanga, no Vale do Ribeira, interior de São Paulo. Vivia com os pais e os cinco irmãos em um pequeno sítio, dividindo os dias entre as brincadeiras no ribeirão e o trabalho braçal da roça.
Na vida para São Paulo, com cerca de 18 anos, encontrou ocupação nos serviços gerais do colégio Madre Alix, ligado às Cônegas de São Bento, mesma ordem de freiras de sua irmã, Maria. Ainda trabalhou na Santa Casa de Misericórdia antes de passar a dedicar seu tempo e energia para a família em formação.
Estar em casa não era para ela sinônimo de imobilidade e lá fez de tudo um pouco: costura, serviços de manicure, um pouco de pintura em tecidos e também crochê e bordados. Seu jeito alegre e disponível era um convite a conversas sobre diversos assuntos, especialmente naqueles onde criara uma identidade própria, como a religião. Para outros era mais tímida, talvez até reservada.
Benedicta teve em vida a sorte de realizar o sonho de visitar sua irmã Joana na Espanha, de conhecer o país e também Fátima, em Portugal, e outros lugares da Europa. Já o fim da vida foi um pouco mais limitado por conta do Parkinson e da hidrocefalia. Complicações renais a levaram ao fim. Benedicta viveu para os seus e para Deus.