Balbino Faustino Pires

 
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As cartas guardadas até hoje dão testemunho do amor entre Balbino e Cirene. Foram anos de saudade e de querer, ele em São Paulo, ela na terra natal dele, em Minas Gerais. Encontravam-se por lá a cada doze meses e passavam tempos juntos antes da mudança definitiva dela para a cidade grande, onde ele já trabalhava como manobrista em um hotel e depois como taxista.

Reunidos em definitivo tiveram Hudson, Tatiana, Renato e Bruno. Além da paixão, governavam aquela relação a amizade e o respeito. Os filhos o consideravam um herói, alguém que nunca deixou faltar nada e procurou dar de tudo, especialmente a possibilidade de estudo. A prova da forte conexão entre todos se revelava na própria vida: seguiram morando com ele até os respectivos casamentos. E quando enfim se mudaram foi para perto dele.

“A gente procura se espelhar nele com nossos filhos. Parece que ele ainda está aqui entre nós, que vai aparecer a qualquer momento para bater um papo”, conta Hudson. Balbino era mesmo uma boa companhia. Extrovertido, brincalhão e piadista, onde chegasse gostava de falar com todo mundo. E para si tudo tinha sempre solução, nenhum problema era grande demais.

Mais novo gostava de jogar futebol e de levar os filhos para assistir às peladas. Com o passar do tempo foi ficando mais caseiro, apreciando o tempo no seu lar com a esposa e recebendo visitas da família. Brincar com os netos no quintal era uma das suas maiores alegrias; teve seis: Larissa, Sofia, João Felipe, Alice, Lorenzo e Giovana. Lembrava bem da sua infância sofrida, de como aos oito anos já era órfão de pai e mãe, decidira aproveitar o tempo ao lado dos seus.

Balbino foi raro como alguém satisfeito e feliz com a vida que tinha. A partir da sua visão de mundo simples e sem ambição conquistara absolutamente tudo. Da rotina e do trabalho como taxista, bastante afetada pela pandemia de Covid-19, até a numerosa família ao seu redor. Era feliz em seu mundo.

E assim foi até descobrir um problema cardíaco. Mesmo sob acompanhamento, a doença avançou rapidamente e, já internado no hospital, teve uma parada. Balbino amou a vida que construiu para si e para os seus, e foi amado por isso.

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