Antonio Silva
Antonio, o Seu Silva, percorreu um caminho até transformar-se no avô que nascera para ser: criativo nos presentes e nas interações, contador de histórias fantásticas, carinhoso e sonhador. Antes de ter os pés nas estrelas, os manteve na terra batida. Primeiro em Bom Sucesso, Minas Gerais, e depois em Belo Horizonte.
A capital naqueles tempos tinha jeito de cidade de interior. Antonio cresceu brincando na rua e vendo os pais buscarem no quintal a comida do almoço. Tinham vaca, porco e galinha, uma vida rural impensável na metrópole de hoje.
Aos 18 começou a trabalhar como cobrador de ônibus, mais ou menos na época em que conheceu Marilene e com ela decidiu deixar a cidade para trás em busca de um futuro melhor mais ao sul, em São Paulo.
O serviço nas lojas da 25 de Março era para ser algo provisório, mas tornou-se vocação quando passou a vender tecidos. O mercado pujante de então o atraía, passou mais de 35 anos trabalhando com isso e quando se aposentou já era muito conhecido na área.
Do casamento de 15 anos com Marilene vieram duas filhas, Perla e Mara, antes da separação. Ambos casaram-se novamente e desta vez Antonio teve a sorte de encontrar a mulher da sua vida. Zenaide combinava consigo, foram felizes juntos desde o primeiro momento até o fim de sua vida, 36 anos depois. Não tiveram filhos, mas ele criou os três dela: Sérgio, Érica e Evandro.
Curioso, Antonio lia de tudo. Devorava os jornais todos os dias, gostava de saber e de falar sobre todos os assuntos. A Revista Superinteressante era a sua favorita. E com a chegada das filhas, dos afilhados e por fim dos seis netos - Gabriela, Davi, Gustavo, João Victor, Amanda e Thiago - foi se abrindo e se aproximando do tipo de paternidade para ao qual fora destinado.
Na aposentadoria enfim pôde dedicar o tempo para curtir os netos do seu jeito. Foi um momento de descoberta aquele, Antonio era o avô sonhador dos presentes inesperados como lunetas e cachorros de brinquedo falantes. Do ar de pensador, das histórias incríveis.
Antonio não logrou voltar para um sítio e viver mais perto da natureza. Enquanto aguardava por este momento encheu o quintal da casa com plantas. Experimentando e sem saber muito de botânica fez uma floresta com o que ganhava e com mudas de conhecidos. A família foi o sonho realizado, principalmente os momentos preciosos com os netos.
Seu Silva queria viver e resistiu à saúde que se deteriorava. Foram problemas de bixiga, vasculares, respiratórios e cardíacos, mas fazia de tudo para ficar bem. Com a situação mais crítica o médico o deixou ir para casa, e Antonio partiu tranquilo perto da família, das plantas, do sol. Agradecido e realizado.