Antonio Pereira

 
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Antonio foi um apaixonado pela vida e pela família que construiu, e teve a sorte e a sabedoria de reconhecê-lo, sendo e percebendo-se feliz. Melhor ainda, verbalizava esse amor com frequência para os destinatários do seu sentimento. Aos sobrinhos disse que quando enfim partisse deveriam saber que moravam em seu coração. E eles souberam.

Chegou a São Paulo vindo de Catanduva ainda jovem. Foi pai de cinco, mas seus relacionamentos não foram tão longevos. Com Gabriela foi casado e teve dois filhos; depois envolveu-se com Fátima, com quem teve outras duas crianças; e por fim foi pai mais uma vez com Edna. Depois isso, seguiu solteiro e com paqueras eventuais.

Trabalhando de dia e de noite como gari para uma empresa, recolhendo lixo da rua, não teve tanto tempo para estar com os filhos. Mas quando conversava sabia ouvir e gostava de dar conselhos, nem sempre ouvidos por todos, como costuma acontecer.

Quando Antonio perdeu a visão de um dos olhos por conta de um problema de saúde e de uma cirurgia mal sucedida precisou aposentar-se. E aí sua vida entrou em uma segunda e mais feliz fase como dono de bar. Ele ficou à frente do negócio por duas décadas.

Lá amigos organizavam reuniões, faziam churrascos, comemoravam aniversários, jogavam bilhar. Antonio muitas vezes levava comida de casa para vender e era querido pelos frequentadores. Muitos rumavam ao seu bar não para beber, mas para bater papo com ele, sempre um bom ouvinte.

Era um apaixonado por passarinhos e dedicava parte do seu tempo para cuidar deles e apreciar seus cantos característicos. Mais velho, sonhou até em vender o bar e se mudar para o interior. Sempre quis curtir a vida.

Teve 12 netos e 3 bisnetos, mais amoroso e cada vez mais presente com a idade. Mas partiu num repente, levado por um mal súbito, provavelmente um AVC. A família ficara esperando-o para uma reunião, descobriria em breve que agora ele viveria nas suas melhores memórias.

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