Aneli Rosa da Silva

 
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Aneli foi alguém de muitos e diversos interesses, frutos de uma grande curiosidade, de uma sede de vida. Foi professora, costureira, funcionária de farmácia e de laboratórios e até cabeleireira - aprender coisas novas e também ensinar a motivou em sua caminhada. Assim como olhar por sua família, com o orgulho de quem sente ter feito um bom trabalho.

Passou a infância em Jales, interior de São Paulo, depois de nascer em Neves Paulista, a 150 quilômetros dali. Na mudança para a capital conheceu um sujeito que a intrigou: José Cassiano era o típico malandro boêmio, pagodeiro, cervejeiro e contador de histórias. Mesmo com tantas características opostas às suas - ou talvez por causa delas - apaixonaram-se e em apenas 15 dias ele já estava a caminho de Jales para conhecer seus pais.

O casamento os levou para a zona norte de São Paulo e depois para o Parque Uirapuru, em Guarulhos. Seria uma das primeiras moradoras do local, e com o tempo se tornaria uma figura importante no bairro na esteira de seus múltiplos talentos. Trabalhou em farmácias e laboratórios, mas ainda alimentava o sonho de ser professora. Voltou a estudar depois de casada, fez faculdade e se formou em Geografia.

Foi professora de vários moradores do bairro e deu aulas em quatro escolas, a realização completa daquele desejo. Curiosa, ainda fez um curso de cabeleireira. Cortar o cabelo dos vizinhos de rua sem cobrar por isso era uma das suas distrações. Outro passatempo, o de costureira, rendia roupas, reparos, travesseiros e almofadas perfeitos.

Os filhos foram dois, Fábio e Fernando. Aneli era uma mãe bondosa e conselheira, mas também sabia ser rígida, comemorar vitórias e chorar decepções dos seus meninos. Acolheu as noras Pamela e Edevania como filhas fossem. 

Mas foi na chegada das netas Yasmin, Gabriela e Giovana que a vida ganhou uma nova dimensão. Para elas contava histórias, fazia as comidas e as vontades, assistia desenhos na TV e até a ajudava nas lições de casa. Com suas netas viveu cada dia como se fosse o último, o sorriso no rosto de quem se sente plena de amor.

Aneli foi diagnosticada com um linfoma em 2007, mas sua sede de viver era grande demais para qualquer abatimento. Superou a doença, que retornou só dez anos depois. Chegou a se recuperar ainda mais uma vez, mas na terceira ocorrência, em 2019, não houve mais como resistir. Depois de três meses de luta, partiu certa de ter vivido tudo no máximo da plenitude.

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