Marinalva Mendes Gomes

 
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Marinalva teve a sua existência parcialmente definida pela segunda maternidade, pouco tempo antes da sua partida. Aos 40, tornou-se mãe de uma maneira nunca imaginada por ela, muito além das possibilidades que o amadurecimento psicológico e emocional dos seus 17 anos permitiu quando tivera o primeiro filho. A experiência do amor total a salvou, a modificou, e deu sentido e norte para a sua trajetória de vida.

Nascera na Bahia, em Pindaí, em uma casa com mais 10 irmãos. Viviam todos na roça, andando a cavalo, tocando os bois, uma infância de sítio. Aos 14 mudou-se para Sāo Paulo com oito dos seus irmãos, atrás do mais velho, recém-empregado. Os pais vieram depois e chegaram a morar todos juntos novamente na mesma casa. Mas Salvador e Adiva não se adaptaram e voltaram para o Nordeste.

Adolescente vaidosa, nunca se apegou a ninguém. E, solteira e de gênio independente, ficou grávida de Marcos Vinicius aos 17. Não tinha condições de criá-lo, tarefa assumida pelos seus pais, mas sempre deu tudo o que podia ao filho.

Desapegada a dinheiro e bens materiais, trabalhava alguns anos depois em uma loja no Brás e conhecia todo mundo por lá. Fazia amizades com facilidade e era uma pessoa aberta ao diálogo, mesmo carregando uma personalidade forte e teimosa. Dona de um  coração imenso, estava sempre pronta para ajudar quem fosse. Seus prazeres eram simples: rock e MPB, barzinho, cerveja, cigarro.

Tudo isso mudou com a gravidez de Giovana. Se Marinalva já era querida pela família e tinha uma relação de carinho mútuo com seus pais e com os primos, se aproximou ainda mais dos seus irmãos nessa nova fase. Ligava para dividir a experiência, para contar das sensações. Se entregou à experiência da maternidade como nunca, colocando o então companheiro em segundo plano para viver esse amor divino em toda a sua plenitude.

Realizou afinal o sonho de morar sozinha, comprando um apartamento para viver com a pequena. Sua transformação completava-se quando, após um ano do nascimento da menina, começou a sentir dores no abdômen. O câncer descoberto na região levou-a em apenas quatro meses.

A família diz que Deus permitiu a gravidez para ensinar-lhe algo sobre ser mãe. E ao fim dessa trajetória de descoberta a levara para si. Marinalva pode dizer que viveu com propósito e sentido. Uma vida de surpresas, de redenção, de amor.

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