Marcos Moura Silva

 
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Marcos amava a natureza e sonhou em passar seus últimos dias na paz de uma chácara. Cercado de animais, plantas, pomar e horta, descansaria de uma vida plena. Se a partida precoce aos 49 anos frustrou os planos, a passagem por esse plano foi rica de aprendizados e ensinamentos. Viveu de maneira real, curtindo os segundos como se fossem os últimos, e mostrou como ouvir, respeitar e ser humilde. Em troca, foi amado com intensidade e entrega.

Teve uma infância difícil em Contendas do Sincorá, na Bahia, e depois em São Paulo, passando fome com seus oito irmãos. Nunca conheceu seu pai e instintivamente sabia que essa ausência não facilitaria as coisas em casa para sua mãe, encarregada da missão de alimentar sozinha tantas crianças.

Aos 19, viu o tempo fechado da vida dura se abrir como em um dia de sol. Conheceu Eduardo durante o serviço militar obrigatório, ambos servindo na Força Aérea. A identificação foi imediata: vinham de famílias humildes e compartilhavam as mesmas histórias de privação em Guarulhos. O amor foi uma consequência natural.

A parceria dos dois combinava interesses diversos. Marcos, fascinado por plantas, trabalhou com jardinagem; como cabeleireiro profissional; e por fim como tosador de animais, outra das suas paixões. Eduardo, ligado em números, atuava com finanças e assuntos administrativos.

A atitude positiva de Marcos em relação à vida, repleta de alegria, sorrisos e de bom humor, atraía as pessoas para si. E a humildade no trato as encantava. Emanava alegria e paz no jeito harmonioso, inimigo de brigas e de discussões. Ainda assim, como sói acontecer, não escaparia de ser humilhado. Nessas ocasiões dizia “isso não me atinge, o importante é falarem de mim”. Considerava melhor servir a quem pede ajuda que pedir ajuda.

Viveu com intensidade seus últimos momentos, enquanto convertia-se em companheiro, depois irmão e por fim em filho de Eduardo. Oficializaram a união com um casamento comunitário em um Centro de Tradições Nordestinas e, em um período de muito amor e envolvimento, compartilharam e conversaram sobre tudo. Inclusive sobre o sofrimento com o tumor que lhe acometeu. Após a primeira cirurgia ficou inteiramente sob o cuidado de Eduardo. Sabia aproximar-se o fim, e viviam os dois como se cada dia fosse o derradeiro.

Partiu dois anos depois em um leito de hospital ladeado pelo amor da sua vida enquanto recuperava-se de uma segunda intervenção. Eduardo ficou, grato pelo conforto divino ao seu companheiro no fim e praticando o que aprendeu a enxergar na vida com Marcos. E aguardando o momento do reencontro.

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