Josefina Maria Aguilar da Silva
O destino de Josefina estava definitivamente ligado ao de José. Seu primeiro namorado, quando ainda era inquilino da sua avó, Josefa, teve um destino comum aos relacionamentos jovens. Depois de separados, ambos casaram-se novamente, tiveram filhos, mas oito anos depois e divorciados experimentaram algo incomum: no reencontro, uma nova chance para mais três décadas de amor.
Não se largariam mais. Josefina cuidando da casa, José trabalhando como torneiro mecânico. Gostavam da presença um do outro e se davam bem para tudo, especialmente para as viagens: visitaram de Gramado a Natal, até para a Rondônia foram. Ela trouxe para casa Carlos Eduardo e Kátia Cristina, filhos do seu primeiro casamento. Os três filhos dele ficaram em Americana, onde viveu no relacionamento anterior, antes de voltar a Guarulhos.
Estava completa a família que Josefina tanto sonhara e para quem dedicaria as suas forças por toda a vida. Nasceu em Palmeira do Oeste, no interior de São Paulo, mas com oito anos já morava na capital com os três irmãos, a mãe, Josefa, e o pai, Miguel. O esforço dos pais em um salão de beleza e em um posto de gasolina lhe garantiram uma infância tranquila, com tempo para ser criança.
Mas quando piscou era avó, de Mike, Larissa, Camile, Leo e Maria Eduarda. E depois bisavó de Artur e de Murilo. Na família, era ela quem cuidava de tudo, das necessidades dos parentes próximos e dos distantes. Se preocupava em visitar os tios, até os mais velhos. E no Natal comprava panetones para todos, fazia questão.
No seu universo não havia espaço para a tristeza, e tudo era razão para piadas e brincadeiras com quem estivesse presente. O jeito extrovertido combinava com o impulso hospitaleiro, com os churrascos que dava em sua casa. Josefina amava cozinhar, fosse para a sua família ou feijoadas para crianças e famílias carentes, ou ainda para arrecadar dinheiro para a igreja.
Evangélicos, ela e seu marido formaram-se em teologia e atuavam como pastores. Ele mais focado em conduzir os cultos, ela dedicada em ajudar no trabalho da igreja e a cuidar das crianças. Foi muito querida por isso.
Na luta derradeira contra o câncer, teve seu marido por 20 noites ao lado no hospital. Os filhos ouviam durante o dia os admirados relatos da equipe médica sobre a dedicação dele com ela. Foi recíproca, Josefina também cuidou do marido e não só dele: lutou até o fim para não ir, pelos seus filhos. Ficou a falta dessa generosidade sem fim, tão sua.