Isabel Cristina Garcia Guilhen

 
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Alegrava o mundo infantil onde vivia Isabel a ideia de casar, tal qual nos contos de fada. Imaginava-se nesse momento princesa, rodeada de mimos e de amor. Quis o Providência que a pureza e a inocência do seu ser a protegessem de uma apreensão mais fiel da realidade, irremediavelmente decepcionante frente ao sonho.

Tinha cinco anos quando foi adotada em definitivo pela tia, Margarida, e registrada como filha. Sua mãe, também Isabel, trabalhava muito e não tinha tempo para criá-la desde que o marido partira levando o filho do casal. Sobrava para Rosangela, a filha mais velha. De tanto chorar e ter febre ao voltar da casa da tia, Isabel acabou ficando por lá em definitivo. Margarida perdera recentemente uma menina, ficava feliz em tê-la por perto.

Tinha 14 quando a tia e o tio, Geraldo, faleceram. Rejeitada pelos irmãos adotivos, voltou para a casa da mãe e da irmã. Foi um período difícil para todos, especialmente para ela. Sua condição psicológica a deixava inquieta, fugia de casa por dias, tornou-se andarilha. A mãe lidava com o alcoolismo, não podia garantir a presença e o cuidado que tanto precisava.

Isabel sofreu nessa época violências inomináveis. Teve dois filhos, Isabela Cristina e Patrick, e quando sua mãe faleceu foi viver com Rosângela. Tratava-se do HIV e ainda tinha surtos nervosos. Quando estava serena, gostava de cantar, de trabalhar e de ajudar na casa. Uma maneira de estar presente.

Partiu cedo, aos 37, levada por complicações da doença, mas dona de um coração puro. Como ocorrera uma geração antes, seus filhos agora são criados pela irmã. E têm uma chance de escrever outra história, com final de conto de fadas.

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