Eliza Firmino Camargo

 
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Era Eliza abrir o portão do sítio na volta da escola para ser recebida prontamente por aquele pato. O bicho vinha correndo de onde estivesse, uma cena repetida diariamente e guardada para sempre entre as memórias mais especiais daquela infância rural. Era feliz com seus cinco irmãos e os pais em uma olaria em Martinópolis, no interior de São Paulo. As crianças trabalhavam muito na colheita e na criação dos bichos, mas também tinham espaço, tempo e liberdade para brincar.

Tornou-se adolescente ainda ao lado da sua família, mas já em São Paulo, e num repente ainda jovem viu-se adulta. Trabalhava como diarista e passou a cuidar dos três filhos do irmão Lídio, recém-viúvo. Ele perdera a esposa muito cedo e Eliza assumiu a educação e o cuidado de Célia, de Carlos e de Maurício. Aprendeu a ser mãe nessa época, em breve seria de fato.

Andreia e Marisa vieram de um relacionamento curto, terminado em divórcio quando as meninas ainda eram crianças. Desdobrou-se em esforços para as duas. “Foi uma mãe maravilhosa, a melhor do mundo. Tirava da boca dela para dar pra gente e pros netos também”, lembra Andreia. Teve três: Nathaly, Bianca e Arthur.

Funcionária pública do Estado, trabalhou na cozinha de um hospital durante toda a vida. Isso garantia que a comida da casa fosse muito acima da média. Um pudim de leite condensado idolatrado, uma coxinha de frango empanada amada pelas crianças, com Eliza não havia miséria na cozinha.

Seu gênio era difícil, não aceitava separações na família por motivos fúteis por exemplo — a sua não fora. Mas, apesar de fechada e introspectiva, era caridosa, gostava de ajudar e era movida pelo seu amor ao próximo. Se via algo em um bazar e lembrava de alguém, comprava na hora.

Gostava de viajar, mas, devota de São Judas, tinha na igreja um norte e uma prioridade na vida. Estava lá para ajudar e para rezar até mesmo doente ou com dor. O compromisso era o único capaz de justificar para si a eventual negativa em cuidar dos netos. 

Eliza não lidou bem com a internação por conta de uma doença intestinal e com a consequente perda da autonomia. Acostumada à liberdade, não aceitou ficar dependente de cuidado alheio. Eliza se foi, sabendo ter feito o bem.

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