Edison Alves Monteiro
Edison sentiu cedo o peso da responsabilidade. Sozinho em casa com a mãe, Dona Maria, engraxou sapatos e correu como office-boy para ajudar nas contas. Depois trabalhou muito para ajudar a sustentar os oito irmãos que viriam do segundo casamento dela. Nesse esforço de amor, foi um pouco pai para eles também.
Como acontece em raros e sortudos casos, sua vida é indissociável da trajetória profissional. Edison se encontrou na Polícia Militar, onde ingressou jovem logo após servir ao Exército e de onde sairia, desconsolado, somente na aposentadoria. A PM era tudo para si: conhecido pelos companheiros como Jacaré ou Bocão, atuava na rua e dava também dava aulas aos colegas. Monteiro era seu nome de guerra, gostava de ser chamado assim.
Conheceu Aparecida na casa de shows Terraço, um encontro fortuito, mas capaz de transformar para sempre a vida de ambos. Foram cinco filhos: Edison Filho, Marieza, Wendel, Bárbara e Samuel Cicero. “Os dois brigavam, mas não se largavam”, lembra Bárbara. De fato, a união sobreviveu a décadas para desaguar apenas na derradeira despedida dele, ela ao lado.
Aparecida cuidaria da casa naquele arranjo, enquanto Edison sustentava a todos e educava as crianças à sua maneira por vezes dura, mas amorosa. Esforçava-se para ensinar o certo e o honesto aos seus. Comandava-lhe uma personalidade reservada e forte, por vezes geniosa, mas carinhosa acima de tudo e dona de um coração enorme.
Mesmo aposentado e longe da amada corporação, a PM seguiu como um dos seus assuntos prediletos. Com a chegada dos smartfones, mexer no Facebook e no Whatsapp tornou-se uma das maiores distrações. Mas nada se compara à energia que reservava aos sete netos. Curtiu Alanis, Miguel, Edison Neto, Matheus, Kemilly, Giovana e Abraão como não pôde curtir os filhos, na correria das obrigações profissionais de outrora.
Sonhou em vê-los crescendo, apaixonado pela família que era. Os netos, os filhos, a esposa e sua longeva mãe eram sua maior paixão. Edison foi levado por uma pancreatite aguda e inesperada, surgida ao acaso numa época de perdão, como se houvera pressentido. Ficaram boas memórias e sobretudo o amor.