Divina de Lima Stanger

 
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Divina sempre sonhou em ter uma filha. Se a natureza só lhe concedeu um menino, Henrique, o destino se encarregou de lhe dar não uma, mas três mulheres. A futura nora, Rute, e as netas, Denise e Deise, foram para Divina as filhas que sempre sonhou. As irmãs, apelidadas em definitivo de “as meninas”, foram o grande projeto da sua vida, suas maiores preocupações e realizações.

O jeito enérgico na educação do filho e das meninas convivia em Divina com um lado amoroso e carinhoso, atencioso às necessidades deles e pronto para guiar e aconselhar. Durante a adolescência, Denise e Deise pediam aqueles pratos especiais que só ela sabia fazer, e a procuravam quando doentes para medicamentos e orações. 

Ficava realizada com as conquistas das duas e as ensinou alguns dos valores mais importantes. “Honestidade, sinceridade, lealdade e olhar com misericórdia, toda essa base nós aprendemos com ela e com o nosso avô, lembra Deise.

José sempre esteve em sua vida, desde os três meses de idade. Nove anos mais velho, morava próximo, no interior do Paraná, para onde a família de Divina se mudou após deixarem Monte Santo de Minas, em Minas Gerais. Quando ela tinha 15, alguém brincou que podia se casar com o Zé. Da piada inocente ao namoro e ao casamento foi um pulo, em apenas um ano e dois meses. 

Permaneceriam juntos, e unidos, por 59 anos. Nessa parceria, onde um ia o outro ia atrás. “O banco da frente do meu carro é da minha esposa”, declarava José orgulhoso. Depois de muitos anos trabalhando na roça, Divina passou a cuidar do lar após o casamento. E quando o filho, Henrique, tinha oito anos foram todos para São Paulo. José trabalharia na construção civil que vivia um boom à época. Ela arranjava, em meio ao dedicado serviço doméstico, tempo para si, inclusive vendendo roupas. Dava o seu jeitinho.

Seu prazer era cultuar a Deus e participar da rotina da igreja evangélica que frequentava com o marido. Era desejo e alegria estar lá, congregar, visitar e ajudar as pessoas. Quase como se ambos fossem destinados a fazer justamente isso em suas vidas. Doavam muito para quem precisasse e assim que se estabeleceram em São Paulo passaram a ajudar a família a se mudar também, recebendo em casa. Era chegar gente a hora que fosse e Divina ia para o fogão, arrumava a cama, preparava-se para acolher. 

Nos últimos tempos passou a sofrer com a perda gradual da visão e com crises de ansiedade. Foi levada por um infarto, mas deixou na vida do seu filho e das três filhas do coração marcas que não se apagarão nunca. 

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