Antonio Cesar Ferreira
Antonio passou fome e foi expulso de casa com apenas 15 anos. Perdera a mãe com quatro anos - foi criado pelo pai e pela madrasta, que priorizaram os sete filhos vindouros em detrimento de si e dos outros três rebentos do primeiro casamento. No período morando de favor na casa de parentes conheceu Ilza, vizinha de sítio. Viria para São Paulo pouco depois e, pés firmes na capital, a buscaria. Antonio venceu na cidade grande.
Depois dos primeiros pequenos trabalhos e bicos decidiu abrir um negócio inovador para a época: comprou máquinas de café instantâneo que abastecia com os grãos. O maquinário ficava distribuído em padarias, mercados e bares da cidade, e Antonio contava com mão de obra para ajudar. Tornou-se à época o mais próspero da família, fruto de sua incansável dedicacão. Teve com Ilza seu primeiro filho, Rodrigo, mas o relacionamento eventualmente não sobreviveu.
À época Antonio conheceu Élia em uma festa de conhecidos em Guarulhos. Construíram uma casa juntos e tiveram duas crianças, Rafaela e Renan. O menino, porém, nasceu com problemas graves de saúde, que obrigaram a família a mudar de vida.
Desfez-se do negócio do café e abriu um mercadinho, onde Élia trabalhava enquanto ele levava Renan para inúmeros exames e consultas. Com os gastos se multiplicando, foi vendendo o que tinha até que nada mais sobrou. O falecimento do garoto, aos 22, coincidiu com a época da separação de Antonio e Élia.
O tempo fez com que aprendessem a lidar bem com o fim do relacionamento, contratempo da vida. Seguiram morando na mesma construção, em imóveis independentes, e se davam bem. Ela lavava a roupa dele e cozinhava, ele a ajudava com as consultas médicas. A amizade resistiu até mesmo ao segundo relacionamento dela.
Antonio foi dedicado ao cuidado com os filhos que viviam consigo, da atenção especial a Renan ao suporte emocional e financeiro a Rafaela. Tinha personalidade forte, teimosa, mas também caridosa - gostava de ajudar a quem podia.
Apaixonado por futebol, chegou a ser técnico de um time de várzea durante o seu primeiro relacionamento. Abandonou a atividade apenas quando o cuidado a Renan, e as frequentes internações, passaram a consumir muito do seu tempo. Antonio amava ouvir música sertaneja sentado em bares, conversando e dando risada. Seu sonho sempre fora ser feliz.
E ele foi, até ser levado por problemas cardíacos. Ficou no vazio da sua ausência o som da sua estrondosa risada característica, o gosto pelas festas, sua alegria inconfundível, a paixão pela vida.